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sábado, 7 de novembro de 2015

VEM AIIIII!!!! I ENCONTRO VIDA SEM LEITE UFF

  NÃO PERCAMMM!!!

Na ultima sexta feira, dia 06/11, a Equipe Vida Sem Leite UFF reuniu - se na Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa para organizar os últimos detalhes do I Encontro Vida Sem Leite UFF.

Próximo dia 09 de Novembro 
Local: Auditório Rosalda Paim
Escola de Enfermagem UFF - Niterói / RJ

ESPERAMOS VOCÊS!!! 

Equipe Vida Sem Leite UFF: Martha Tudrej, Karize Brum (em pé), Maria Lúcia Fernandes (em pé), Caroline Marques e Nathalia Vasconcelos

Equipe Vida Sem Leite UFF: Profª Ana Karine (coordenadora do Projeto Vida Sem Leite UFF), Leticia Batista, Karize Brum, Nathalia Vasconcelos, Maria Lúcia Fernandes, Caroline Marques e Martha Tudrej

Equipe Vida Sem Leite UFF: Profª Ana Karine (coordenadora do Projeto Vida Sem Leite UFF), Nathalia Vasconcelos, Caroline Marques e Martha Tudrej

 Equipe Vida Sem Leite UFF: Leticia Batista e Martha Tudrej

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO!!!













quinta-feira, 20 de agosto de 2015

CRIANÇAS MUDAM O CARDÁPIO DO LANCHE DA TURMA EM SOLIDARIEDADE À COLEGA COM RESTRIÇÃO ALIMENTAR

São iniciativas como esta que promove a vida, o crescimento seguro e feliz, garantindo a inclusão e participação social!! 
O mundo é da diversidade e o importante é...
SER FELIZ E ENCARAR ISSO DE FRENTE SEM MEDO DE VIVER!!!


O desafio foi lançado a uma turma de 2º ano do Ensino Fundamental da Capital: “Você deverá pedir ajuda de um adulto e pesquisar uma receita vegana, ou seja, sem produtos de origem animal. É importante testá-la com a sua família! Este tema de casa tem o objetivo de contemplar um lanche vegano para que a Anita também possa comer as frutas e lanches trazidos pelos colegas”.


Munidos pela vontade de ajudar a colega com restrição alimentar, as crianças da classe 21 da Escola Projeto não demoraram a cumprir o tema de casa solidário, proposto pela coordenadora pedagógica Virgínia Veríssimo na primeira semana de julho. Logo 10 receitas veganas foram incluídas no cardápio dos lanches coletivos da turma, que acontecem a cada 15 dias, às quartas-feiras.

Atividade de socialização com alimentos diferentes 

Desde que se juntou à classe, no ano passado, Anita Della Giustina, sete anos, não podia comer a maioria dos alimentos trazidos pelos colegas durante os lanches coletivos. O motivo é a condição de saúde que carrega desde que nasceu: a menina é portadora de leucinose, também conhecida como doença da urina do xarope do bordo, patologia hereditária que a impede de consumir alimentos de origem animal. A doença atinge um a cada 185 mil nascidos.

– Eu comia só fruta e trazia meu próprio lanche – lembra Anita.

Segundo Virgínia, o lanche coletivo é uma atividade valorizada pela escola – dividir a comida promove socialização e oportuniza às crianças provarem alimentos diferentes dos quais estão acostumadas.

– A gente percebeu que nessa turma tinha um ambiente muito positivo. Os pais também estavam preocupados com isso e queriam participar da organização do lanche pensando nessa colega – afirma Virgínia.

– Eu achei muito bom a gente trazer receitas veganas para ela, daí ela pode comer. Eu trouxe (a receita de) um bolo de chocolate que não precisa de ovo – conta Eduardo Lopes, sete anos.

A mobilização dos colegas animou Anita, conta a mãe da menina, Patrícia Trindade De Angelis. No último lanche coletivo da turma, em 5 de agosto, ela finalmente se viu contemplada: batatas recheadas veganas foram a primeira receita posta em prática pela turma. Bolo de laranja e bergamota complementaram a refeição.

Os pratos quase vazios no final do recreio indicaram que o lanche agradou não só a Anita. Sinal de que, além de solidário, o lanche inclusivo pode também ser gostoso.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

EU POSSO ISSO: CONTEÚDO DIGITAL DE NUTRIÇÃO

EU POSSO ISSO é uma equipe de pessoas apaixonadas pelo tema da nutrição e alimentação saudável de origem em um núcleo familiar, que aprendeu durante anos com um filho com diversas alergias alimentares graves. A partir dessa longa experiência com restrições alimentares e alergias, decidiram então criar uma iniciativa para divulgar parte de nossa experiência, alem de promover a disseminação de informações que ajudem e auxiliem aqueles que passam por essas restrições alimentares (seja por motivos de saúde – intolerâncias e alergias ou por opções de dietas).


domingo, 24 de maio de 2015

GLOBO REPÓRTER INVESTIGA DOENÇA QUE ATINGE MILHÕES DE BRASILEIROS: A ALERGIA

Destacamos algumas perguntas e respostas relacionadas a Alergia a Proteína do Leite de Vaca!!

Dra. Fátima Emerson é coordenadora da Comissão de Assuntos comunitários da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e imunologia) e do Dr. José Luiz de Magalhães Rios é coordenador da Clínica de Alergia – Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Gostaria de saber a diferença entre alergia e intolerância. É a mesma coisa?

Não, Cristina. Alergia e intolerância não são a mesma coisa.

Alergia é uma reação imunológica contra uma substância à qual o indivíduo é sensível e pode causar reações variadas e graves. Já a intolerância é decorrente de uma dificuldade do organismo de assimilar determinado alimento ou medicamento, acarretando reações. Por exemplo, nos casos de intolerância ao leite, o organismo tem uma incapacidade de digerir a lactose, que é o açúcar do leite. Já na alergia ao leite, há um processo imunológico contra as proteínas do leite.

Os sintomas da intolerância são restritos ao trato digestivo (diarreia, prisão de ventre, dor, etc.), enquanto na alergia os sintomas podem acometer diversos órgãos e sistemas, como: pele, trato digestivo, respiratório, etc. É importante ter a certeza do diagnóstico para poder orientar o tratamento que é bastante diferente em cada caso

Minha filha tem alergia à proteína do leite. Isso passa?

Rosilene, a alergia à proteína do leite de vaca pode diminuir e até desaparecer com a idade. Mas, uma pequena parcela de pacientes permanece com sintomas até a idade adulta. Por isso, é importante que o tratamento seja orientado pelo médico especialista em alergia

Tenho uma bebê de cinco meses e os médicos suspeitam que ela é APLV. No entanto, esse diagnóstico se baseia em observação. Existe algum exame que seja seguro e possa ser feito em bebês? APLV tem cura? Que tipo de tratamento pode ser feito?

Sandra, o diagnóstico da alergia a proteína do leite de vaca é clínico, podendo ser confirmado através de testes cutâneos ou no sangue, através da dosagem da IgE específica para o leite de vaca e para as proteínas.

Existem duas formas principais de APLV. A mais grave, e mais rara, é aquela em que a criança ao ingerir leite ou derivados apresenta crise de urticária (manchas na pele), edema (inchação) e sintomas respiratórios (falta de ar, coriza, etc.). Nessa forma, as reações imunológicas são mediadas pela IgE, que é uma classe de anticorpos típica das reações alérgicas e, por isso, essa reação é chamada IgE- mediada. Essa forma de APLV apresenta testes positivos para o leite e exame de sangue positivo para as proteínas do leite (dosagem da IgE específica para as proteínas do leite).

A outra forma de APLV é a mais comum e se manifesta apenas por problemas digestivos, como cólicas, vômitos e diarréia, às vezes até com sangue nas fezes. Essa forma de reação não é mediada por IgE e por isso nem os testes alérgicos e nem os exames de sangue são positivos. Por isso o diagnóstico de APLV é clínico.

A maior parte das crianças com APLV evolui espontaneamente para a cura entre os 3 e os 5 anos de idade. O tratamento, portanto, é fazer dieta de leite e derivados, para evitar as reações e permitir que o organismo vá desenvolvendo tolerância. Em crianças pequenas, o leite precisa ser substituído por outro, para manter a alimentação do bebê. É um trabalho complexo que deve ser feito pelo médico especialista, com apoio de nutricionista.

Tenho um filho de 4 anos diagnosticado com alergia alimentar a leite e soja. Já fizemos inúmeros exames e testes alérgicos e em nenhum deles deu positivo. Por que isso acontece?

Roberta, existem duas formas principais de alergia alimentar. A mais grave, e mais rara, é aquela em que a criança ao ingerir o alimento ou seus derivados apresenta cirse de urticária (manchas na pele), edema (inchação) e sintomas respiratórios (falta de ar, coriza, etc.). Nessa forma, as reações imunológicas são mediadas pela IgE, que é uma classe de anticorpos típica das reações alérgicas e, por isso, essa reação é chamada IgE- mediada. Essa forma de alergia alimentar apresenta testes positivos para o alimento (no caso, leite ou soja) e exame de sangue também positivo (dosagem da IgE específica para o alimento suspeito).

A outra forma de alergia alimentar é a mais comum e se manifesta apenas por problemas digestivos, como cólicas, vômitos e diarréia, às vezes até com sangue nas fezes. Essa forma de reação não é mediada por IgE e por isso nem os testes alérgicos e nem os exames de sangue são positivos. Essa forma de alergia deve ser a do seu filho. É menos grave e tem mais chance de desaparecer com a idade. A forma de comprovar é por dieta de exclusão do alimento, para ver se melhora dos sintomas, e depois de algumas semanas, a re-exposição ao alimento, para ver se os sintomas voltam. Este procedimento é importante para confirmação, mas só deve ser feito com acompanhamento médico.

FONTE: Globo Repórter - 22/05/2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

NO BRASIL, 350 MIL CRIANÇAS TÊM ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA

Proteína do leite pode estar presente também em sabonetes, giz, balão de festa. Busca por produtos sem leite já é um grande desafio no mercado.



Balão de festa, giz escolar. A Mariana, mãe do Mateus, de 5 anos, nunca imaginou que ali tinha proteína do leite. “Ele estava brincando no pátio da escola, com giz com a turma inteira, e aí naquele momento que ele deixou o giz, ele coçou o nariz e logo depois ele foi correr no pátio. Ele ficou inchado, com dificuldade de respiração, tossindo, e aí teve uma reação muito séria”, relembra Mariana.

Foi assim que ela descobriu que a alergia do Mateus era mais grave do que pensava. “Eu já sabia que ele tinha alergia a leite quando ele teve reação ao giz. Só que eu não imaginava que no giz tinha proteína do leite na composição”, afirma Mariana.

O giz tem caseína, uma proteína encontrada no leite de vaca. “Eu fui no médico e ele me explicou que, a partir daquele momento, a gente precisaria ter uma adrenalina onde ele fosse”, diz Mariana.

“Uma reação alérgica grave, do tipo anafilático, não tem outra alternativa. A única garantia de vida é o uso da adrenalina. Aplica sobre a coxa, ouve um clique, conta até 10, já aplicou a medicação e esse paciente está fora de risco. Essa caneta pode salvar a vida de uma criança”, avisa a alergista Ariana Young.

A caneta não é regulamentada no Brasil. Os pais que precisam tem que importar. E sai caro. “O mais barato custa R$ 600”, diz Ariana Young.

A Anvisa diz que só não regulamentou esses produtos porque nenhum laboratório pediu.

No Brasil, 350 mil crianças têm alergia à proteína do leite de vaca. “Desses 350 mil, em torno de 70 mil já tiveram ou terão alguma reação do tipo anafilática, com choque anafilático - que representa risco de morte”, afirma Ariana Young, alergista.

“Alergia à proteína do leite de vaca é surge normalmente no primeiro ano de vida, enquanto ele é bebê ainda”, explica Ariana Young.

A Karina descobriu cedo. O Lucca tinha 8 meses quando teve as primeiras reações. “Já reagiu a lencinho umedecido, a sabonete, à medicação”, ela lembra.

E desde a hora que o Lucca acorda, a mãe já fica em estado de alerta. No café da manhã, a irmã, Pietra, não tem alergia e come normalmente derivados do leite. A Karina separa tudo com etiquetas.

“Tudo que é dele está etiquetado, na dúvida, não tem etiqueta, não tem o nome dele, não usa. O pratinho é separado, canequinha separada, o copo é separado, até o jogo americano. A louça do Lucca é lavada com a esponja separada”, ensina Karina. 

No banheiro, tudo separado também. “Eu evito ao máximo produtos que tenham leite na higiene dele, mas alguns podem conter traços”, conta Karina.

Os traços de leite são uma "contaminação" do produto fabricado na mesma máquina que outros produtos com leite ou derivados. Não é todo alérgico que reage aos traços, mas o Lucca, sim.

Em casa, tudo sob controle. Mas e quando o Lucca é convidado para uma festa? A mãe entra em contato com quem estiver organizando a festa e prepara o "kit-festa" do Lucca. “A gente está preparando uma esfiha, massa toda caseira, não tem leite, não tem manteiga”, explica Karina.

Para as mães de filhos alérgicos, achar ingredientes é uma batalha. A busca por produtos sem leite já é um grande desafio no mercado. A situação fica ainda pior quando essas informações não são colocadas corretamente nos rótulos.

Como a rotulagem não é padronizada no Brasil, os fabricantes colocam os ingredientes do jeito que bem entendem e muitas vezes em inglês. Sabonete pode ter leite e caldo de carne também.

Atenção: a lactose é o açúcar natural do leite, não a proteína. “Uma pessoa que ela é intolerante à lactose, ela não consegue digerir o açúcar presente no leite. Não é o caso do Lucca, e das demais crianças que têm alergia à proteína ao leite da vaca. Elas não conseguem digerir a proteína”, explica Karina.

FONTE: Jornal Fantástico. Rede Globo

terça-feira, 12 de maio de 2015

A TUTELA ESQUECEU A ALERGOLOGIA PEDIÁTRICA

Em vésperas da realização do 4º Congresso da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP) que este ano decorreu entre os dias 8 e 9 de Maio, no Palace Hotel Monte Real, fomos conhecer melhor a instituição, criada há cerca de quatro anos no seio da Sociedade Portuguesa de Pediatria, num momento em se estimava que entre 12 a 13% das crianças portuguesas tinham asma e que mais de 30% apresentavam sintomas de rinite. Uma realidade que entretanto tem vindo a alterar-se, com a estabilização do número de casos. Hoje, a grande preocupação dos pediatras são as alergias alimentares, que têm vindo a aumentar significativamente, quer em número quer em severidade, apontou ao nosso jornal Libério Bonifácio Ribeiro, presidente da SPAP, que lamenta a falta de respostas da tutela para os muitos problemas que afectam a alergologia pediátrica.

Apesar de criada há apenas quatro anos, a Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP) resultou da individualização, no seio da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), da Secção de Imunoalergologia Pediátrica, criada em Março de 1985. “Costumo dizer que a SPAP é um jovem adulto, com trinta anos de idade”, diz Libério Bonifácio Ribeiro, presidente da instituição.

A autonomização, ainda que limitada, foi vantajosa: “ganhámos visibilidade e um maior reconhecimento externo, pese embora termos sido sempre autónomos em termos funcionais e financeiros face à SPP, mesmo quando éramos apenas uma secção”.

Mas a verdade é que o novo estatuto veio facilitar o estabelecimento de intercâmbios com outras sociedades, quer a nível nacional, quer internacional. “Os resultados não tardaram. Por exemplo, ainda que já tivéssemos uma relação de grande proximidade com a Sociedad Española de Inmunología Clínica, Alergología y Asma Pediátrica (SEICAP), a autonomização veio propiciar a organização de sessões conjuntas no âmbito dos congressos das duas sociedades. Também com a SEICAP estamos neste momento a preparar um documento de consenso sobre a alergia às proteínas do leite de vaca (CIbAL – Consenso Ibérico Alergia ao Leite), cujos resultados preliminares serão apresentados em Maio no 4º Congresso da SPAP”. Uma iniciativa alicerçada no método Delphi e que tem como objectivo uniformizar a nível da Península Ibérica a abordagem preventiva, diagnóstica, terapêutica e evolutiva destas alergias, explicou ao nosso jornal o especialista.

Outra das vantagens que resultaram da “promoção” da antiga secção a sociedade foi a da maior relevância e facilidade no estabelecimento de parcerias directas com instituições oficiais, que no passado eram sempre mediadas pela SPP, aponta o médico.

O “nascimento da SPAP surgiu num momento em se se estimava que entre 12 a 13% das crianças portuguesas tinham asma e mais de 30% apresentavam sintomas de rinite. Ora, sendo certo que no que se refere à asma os indicadores reflectem uma estabilização do número de casos, já no que toca às alergias alimentares a situação tem-se vindo a agravar muito significativamente, quer no que respeita ao número de casos, quer à sua severidade”, diz. Um fenómeno mundial, particularmente grave nos países desenvolvidos, mercê de inúmeros factores – socioeconómicos, culturais, entre outros, que tem merecido especial atenção por parte da comunidade médica.

“Se é verdade que hoje em Portugal a mortalidade em idade pediátrica associada à asma é nula, o mesmo já não se pode afirmar relativamente à relacionada com a alergia alimentar”. Um novo cenário que Libério Ribeiro associa a diversos factores que têm potenciado uma quebra no equilíbrio que se verificava entre os indivíduos com propensão genética para o desenvolvimento de doença alérgica – cerca de 80% dos doentes têm antecedentes familiares de alergia – que acabam por desenvolver doença e aqueles que não manifestavam quaisquer sintomas da doença ao longo da vida. “O que mudou? O meio em que nos desenvolvemos, que nos afecta logo nos primeiros meses de vida; em que a amamentação é muitas vezes substituída por uma alimentação artificial que nem sempre é decidida tendo em conta o risco específico da criança – a primeira proteína estranha que uma criança com risco alérgico toma provém, normalmente, do leite de vaca”. Ora, explica, “o leite materno é essencial ao desenvolvimento de tolerância a outros alimentos, pelo que crianças que não estão a ser amamentadas correm um risco maior de desenvolverem alergia alimentar do que aquelas que estão a ser amamentadas concomitantemente”.

O universo de riscos que o desenvolvimento da ciência trouxe faz mesmo com que a propensão para o desenvolvimento de doença alérgica possa ser determinada pelo tipo de parto, explica o médico. De uma forma muito simplista, “hoje sabemos que ao nascer todos temos um perfil alérgico (TH2) – todos nascemos potencialmente alérgicos – defleção imunológica necessária para a viabilização do próprio feto, que de outro modo seria rejeitado como corpo estranho. Esta propensão alérgica começa a alterar-se logo no canal de parto vaginal onde o bebé contacta com a flora materna que induz uma alteração de perfil TH2 para TH1. Ora, o problema é que hoje em dia os partos são cada vez mais assépticos. Uma situação agravada pelo excessivo recurso a cesarianas (em que a assepsia é total). Cerca de 36% dos partos realizados em Portugal são por cesariana, um dos valores mais elevados a nível mundial”.

Segundo o presidente da SPAP, “está hoje demonstrado que uma criança nascida com recurso a cesariana só consegue desenvolver uma microflora intestinal idêntica à de uma criança nascida por parto natural aos seis meses de vida, ou seja, há uma janela de seis meses potencialmente perigosa para aqueles que têm um risco genético maior”, explica.

A todos estes riscos acrescidos iniciais somam-se outros, resultado de práticas adoptadas no passado e que hoje se apontam como erradas. “Por exemplo, em crianças com risco alérgico elevado, protelávamos o mais possível – até aos 12-15 meses – a introdução na dieta dos alimentos mais potencialmente alergizantes, como o ovo ou o peixe. Ora, hoje em dia pensa-se que essa introdução deve ser feita mais precocemente – particularmente nas crianças que estão a ser amamentadas – de modo a alcançar-se também o quanto antes a tolerância a esses alimentos”.

A tudo isto… Somam-se os problemas da modernidade. “Quando estamos a beber leite estamos também a ingerir antibióticos e hormonas introduzidas nas rações animais… Pesticidas agrícolas… Enfim, uma ecotoxicidade a que a maioria de nós está exposta no dia-a-dia, queira ou não e que por efeito cumulativo induz um maior risco de desenvolvimento de alergias e outras patologias” aponta.

De entre as formas mais comuns da doença, a rinite alérgica é a que assume proporções mais preocupantes, com uma prevalência no adulto jovem entre os 35 e os 40% mas que em alguns casos é mesmo superior: “Num estudo que realizei em alunos de um agrupamento de escolas da Lourinhã, a prevalência de rinite alérgica atingiu os 45%”, recorda o médico, para logo acrescentar: “o inquérito que então fiz revelou que mais de metade das casas eram alcatifadas; que mais de 50% dos pais eram fumadores e que fumavam dentro de casa… que 80% tinham animais domésticos. Todos factores agravantes do risco”.

Alergologia pediátrica: uma área esquecida pela tutela

Aos muitos problemas que a Alergologia Pediátrica portuguesa hoje enfrenta, soma-se um outro, igualmente limitador da definição de estratégias adequadas a uma intervenção clínica informada: a da aparente falta de interesse da tutela.

“Houve em tempos uma chamada Comissão Nacional da Asma (CNA), marcada por um facto curioso: coordenada pela Direcção-Geral da Saúde, a CNA contava com representantes da Coordenação Nacional da Global Initiative for Asthma (GINA), da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Associação Portuguesa de Asmáticos. A Pediatria não estava representada, não obstante a asma ser muito mais prevalente na criança do que no adulto” recorda Libério Ribeiro. Como não poderia deixar de acontecer, a direcção da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), à época, lamentou a lacuna, recordando que integrava a sociedade uma Secção de Alergologia Pediátrica, da qual faziam parte “os elementos mais activos e representativos desta área de Pediatria, que espalhados pelo País, nas suas Unidades, desenvolvem uma actividade profícua, tanto na vertente assistencial como na pedagógica e científica, reconhecida a nível nacional e internacional”.

Um esquecimento tanto mais lamentável e incompreensível sublinhava então a SPP, dado todos os estudos epidemiológicos, demonstrarem que “a prevalência da asma é elevada nos diversos escalões etários da criança e quando cerca de 30% das admissões nos Serviços de Urgência são crianças com agudização da sua asma”.

“Mais tarde acabaríamos por ser integrados… Ainda que por pouco tempo. Isto porque como muitas vezes sucede em Portugal o programa foi extinto por falta de verbas, através de um Despacho assinado pela então ministra das Finanças. Mais recentemente com a criação do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias “cheguei a participar numa reunião e foi tudo. Nunca mais fomos convocados para o que quer que fosse”, relatou ao nosso jornal Libério Ribeiro, que confessa que até hoje ainda não deu conta de que alguma coisa estivesse a ser implementada no terreno, ao nível da criança alérgica, ao abrigo do programa da DGS.

Comparticipação das vacinas… Uma batalha que continua

Uma das reivindicações pelas quais a Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica e o seu presidente mais se têm batido é a da que as vacinas antialérgicas voltem a ser comparticipadas pelo Estado, sustentando a pretensão no facto de estar hoje perfeitamente demonstrado que a imunoterapia específica é a única forma de alterar a história natural da doença alérgica. “Têm não só um efeito curativo relativamente às alergias para as quais estão indicadas, como também um efeito preventivo do desenvolvimento de futuras alergias”, defende o médico.

Uma questão que assume particular acuidade em tempos de crise. “No nosso primeiro congresso, que coincidiu com o início da actual crise económica e financeira que o país atravessa, um dos painéis de debate foi dedicado ao tema Asma e Pobreza, que naturalmente condiciona a doença alérgica. As condições habitacionais de milhares de famílias degradaram-se assim como os padrões de higiene. Comem-se mais hidratos de carbono e menos proteínas, o que tem impacto ao nível do sistema imunitário. Outro aspecto que deveria ser avaliado é o da adesão à terapêutica. Os medicamentos são caros e é provável que muitos doentes, por exemplo asmáticos, tomem apenas a medicação sintomática e não a de fundo que é a que verdadeiramente trata a doença”, por falta de recursos.

FONTE: JORNAL MÉDICO PT

segunda-feira, 11 de maio de 2015