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quarta-feira, 3 de junho de 2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

EU POSSO ISSO: CONTEÚDO DIGITAL DE NUTRIÇÃO

EU POSSO ISSO é uma equipe de pessoas apaixonadas pelo tema da nutrição e alimentação saudável de origem em um núcleo familiar, que aprendeu durante anos com um filho com diversas alergias alimentares graves. A partir dessa longa experiência com restrições alimentares e alergias, decidiram então criar uma iniciativa para divulgar parte de nossa experiência, alem de promover a disseminação de informações que ajudem e auxiliem aqueles que passam por essas restrições alimentares (seja por motivos de saúde – intolerâncias e alergias ou por opções de dietas).


domingo, 24 de maio de 2015

GLOBO REPÓRTER INVESTIGA DOENÇA QUE ATINGE MILHÕES DE BRASILEIROS: A ALERGIA

Destacamos algumas perguntas e respostas relacionadas a Alergia a Proteína do Leite de Vaca!!

Dra. Fátima Emerson é coordenadora da Comissão de Assuntos comunitários da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e imunologia) e do Dr. José Luiz de Magalhães Rios é coordenador da Clínica de Alergia – Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Gostaria de saber a diferença entre alergia e intolerância. É a mesma coisa?

Não, Cristina. Alergia e intolerância não são a mesma coisa.

Alergia é uma reação imunológica contra uma substância à qual o indivíduo é sensível e pode causar reações variadas e graves. Já a intolerância é decorrente de uma dificuldade do organismo de assimilar determinado alimento ou medicamento, acarretando reações. Por exemplo, nos casos de intolerância ao leite, o organismo tem uma incapacidade de digerir a lactose, que é o açúcar do leite. Já na alergia ao leite, há um processo imunológico contra as proteínas do leite.

Os sintomas da intolerância são restritos ao trato digestivo (diarreia, prisão de ventre, dor, etc.), enquanto na alergia os sintomas podem acometer diversos órgãos e sistemas, como: pele, trato digestivo, respiratório, etc. É importante ter a certeza do diagnóstico para poder orientar o tratamento que é bastante diferente em cada caso

Minha filha tem alergia à proteína do leite. Isso passa?

Rosilene, a alergia à proteína do leite de vaca pode diminuir e até desaparecer com a idade. Mas, uma pequena parcela de pacientes permanece com sintomas até a idade adulta. Por isso, é importante que o tratamento seja orientado pelo médico especialista em alergia

Tenho uma bebê de cinco meses e os médicos suspeitam que ela é APLV. No entanto, esse diagnóstico se baseia em observação. Existe algum exame que seja seguro e possa ser feito em bebês? APLV tem cura? Que tipo de tratamento pode ser feito?

Sandra, o diagnóstico da alergia a proteína do leite de vaca é clínico, podendo ser confirmado através de testes cutâneos ou no sangue, através da dosagem da IgE específica para o leite de vaca e para as proteínas.

Existem duas formas principais de APLV. A mais grave, e mais rara, é aquela em que a criança ao ingerir leite ou derivados apresenta crise de urticária (manchas na pele), edema (inchação) e sintomas respiratórios (falta de ar, coriza, etc.). Nessa forma, as reações imunológicas são mediadas pela IgE, que é uma classe de anticorpos típica das reações alérgicas e, por isso, essa reação é chamada IgE- mediada. Essa forma de APLV apresenta testes positivos para o leite e exame de sangue positivo para as proteínas do leite (dosagem da IgE específica para as proteínas do leite).

A outra forma de APLV é a mais comum e se manifesta apenas por problemas digestivos, como cólicas, vômitos e diarréia, às vezes até com sangue nas fezes. Essa forma de reação não é mediada por IgE e por isso nem os testes alérgicos e nem os exames de sangue são positivos. Por isso o diagnóstico de APLV é clínico.

A maior parte das crianças com APLV evolui espontaneamente para a cura entre os 3 e os 5 anos de idade. O tratamento, portanto, é fazer dieta de leite e derivados, para evitar as reações e permitir que o organismo vá desenvolvendo tolerância. Em crianças pequenas, o leite precisa ser substituído por outro, para manter a alimentação do bebê. É um trabalho complexo que deve ser feito pelo médico especialista, com apoio de nutricionista.

Tenho um filho de 4 anos diagnosticado com alergia alimentar a leite e soja. Já fizemos inúmeros exames e testes alérgicos e em nenhum deles deu positivo. Por que isso acontece?

Roberta, existem duas formas principais de alergia alimentar. A mais grave, e mais rara, é aquela em que a criança ao ingerir o alimento ou seus derivados apresenta cirse de urticária (manchas na pele), edema (inchação) e sintomas respiratórios (falta de ar, coriza, etc.). Nessa forma, as reações imunológicas são mediadas pela IgE, que é uma classe de anticorpos típica das reações alérgicas e, por isso, essa reação é chamada IgE- mediada. Essa forma de alergia alimentar apresenta testes positivos para o alimento (no caso, leite ou soja) e exame de sangue também positivo (dosagem da IgE específica para o alimento suspeito).

A outra forma de alergia alimentar é a mais comum e se manifesta apenas por problemas digestivos, como cólicas, vômitos e diarréia, às vezes até com sangue nas fezes. Essa forma de reação não é mediada por IgE e por isso nem os testes alérgicos e nem os exames de sangue são positivos. Essa forma de alergia deve ser a do seu filho. É menos grave e tem mais chance de desaparecer com a idade. A forma de comprovar é por dieta de exclusão do alimento, para ver se melhora dos sintomas, e depois de algumas semanas, a re-exposição ao alimento, para ver se os sintomas voltam. Este procedimento é importante para confirmação, mas só deve ser feito com acompanhamento médico.

FONTE: Globo Repórter - 22/05/2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ESTUDOS APONTAM QUE ALERGIA À PROTEÍNA AO LEITE DE VACA É A PRINCIPAL CAUSA EM LACTENTES... VEJAM!!!

Alergia à Proteína do Leite de Vaca
Allergy to cow´s milk protein

FONTE: GRUPO EDITORIAL MOREIRA JR.
LINK: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5465

Mauro Batista de Morais. Professor associado livre-docente da Disciplina de Gastroenterologia e chefe do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo.

Patrícia da Graça Leite Speridião. Professora adjunta doutora do Curso de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo.

Marcela Duarte de Sillos. Médica do Pronto-Socorro de Pediatria do Hospital São Paulo e mestranda do Programa de Pós-graduação em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria da Universidade Federal de São Paulo.

E-mail Contato: mbmorais@osite.com.br
Pediatria Moderna Ago 13 v 49 N 8 págs.: 301-308

Unitermos: alergia, proteína, leite de vaca, lactente.Unterms: allergy, protein, cow's milk, newborn.

Resumo

Os autores abordam aspectos atuais da Alergia à Proteína do Leite de Vaca, destacando sua importância e frequência na clínica pediátrica. Procedem a uma revisão dos aspectos clínicos da patologia, em particular a cólica do lactente, refluxo gastroesofágico, proctocolite, constipação crônica, enteropatia e esofagite eosinofílica. Descrevem a rotina diagnóstica e apresentam paradigma para avaliação do paciente com alergia digestiva ao leite de vaca e frisam a importância de uma dieta de exclusão adequada para controle satisfatório do problema.

Introdução
As proteínas do leite de vaca são a principal causa de alergia alimentar no lactente(1-3). Na Tabela 1 são apresentadas as estimativas de alergia a diferentes tipos de alimentos, de acordo com avaliações realizadas nos Estados Unidos da América do Norte(3). No Brasil praticamente não existem informações precisas sobre a prevalência populacional de Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Estudo epidemiológico(4) realizado em consultórios de Gastroenterologia Pediátrica de várias regiões do Brasil revelou que das 9.478 consultas, 7,3% tiveram como motivo suspeita de alergia alimentar, sendo os seguintes os alimentos suspeitos: 77% leite de vaca, 8,7% soja, 2,7% ovo e 11,6% outros alimentos. A análise de casos novos e em acompanhamento permitiu que se estimasse a incidência em 2,2% e a prevalência de 5,4% de pacientes com diagnóstico confirmado ou suspeita de Alergia à Proteína do Leite de Vaca(4).

A maior parte dos casos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca ocorre na faixa etária de lactente. Este fato ilustra a elevada relevância da doença, por ocorrer em uma fase da vida em que se observa rápida velocidade de crescimento e desenvolvimento. Assim a própria doença, como também uma dieta substitutiva inapropriada(5) podem comprometer o pleno potencial de crescimento e desenvolvimento do lactente com Alergia à Proteína do Leite de Vaca.

No que se refere à fisiopatologia do processo se considera que indivíduos com predisposição genética podem não desenvolver tolerância às proteínas da dieta, o que propicia o desenvolvimento de uma reação imunológica, responsável pelas manifestações clínicas da doença(6-8). Tradicionalmente estas reações adversas aos alimentos são distribuídas em duas categorias, mediadas por células e pela IgE. As reações mediadas pela IgE ocasionam reações imediatas (minutos ou no máximo horas) após a ingestão do alimento que contenha a proteína alergênica. Por sua vez, as reações mediadas por células demandam um período maior para se estabelecer. São as reações mediadas por células as predominantes nos lactentes. Vale destacar que a maioria dos lactentes com Alergia à Proteína do Leite de Vaca mediada por células em geral desenvolvem tolerância oral espontânea ao completar um ou dois anos de idade(6-8). Assim, não cabem propostas para estes casos de métodos que visem acelerar o desenvolvimento da tolerância oral, ao contrário das medidas quesão tentadas em pacientes com maior idade, com reações alérgicas graves, do tipo anafilaxia (mediadas pela IgE)(9). Para estes casos existem, em poucos núcleos de pesquisa do mundo, projetos preliminares que visam induzir tolerância para proteger estes pacientes de reações graves, inclusive em eventos com exposição involuntária ao alérgeno.
Segundo Dupont (2011). 

Apresentação clínica 
As principais manifestações clínicas digestivas da Alergia à Proteína do Leite de Vaca são regurgitação e vômitos, cólica, diarreia com ou sem sangue, presença de sangue em fezes não diarreicas e constipação intestinal(1,2,4,6-8,10). A doença é mais comum nos primeiros meses de vida; no entanto, pode aparecer mais tardiamente. Estes grupos de manifestações compõem um conjunto de síndromes clínicas que podem ser decorrentes de Alergia à Proteína do Leite de Vaca ou, também, de outras doenças próprias de cada faixa de idade. Na Tabela 2 são apresentadas as principais manifestações clínicas, de acordo com a faixa etária(10). 


A cólica do lactente pode ser definida pela ocorrência de crises de irritabilidade, choro e agitação, sem explicação plausível, por mais de três horas diárias, em mais de três dias da semana por mais de três semanas. Existe possibilidade de a cólica do lactente ser secundária à APLV, mesmo em lactentes em aleitamento natural exclusivo(7). Considera-se que esta manifestação é não IgE mediada e ainda não se sabe a prevalência de Alergia à Proteína do Leite de Vaca entre os pacientes com cólica do lactente. Nos casos de lactentes que recebem aleitamento natural exclusivo, a proteína do leite de vaca deve ser suspensa da dieta da mãe por duas semanas(8,11,12). Se houver melhora é interessante realizar teste de desencadeamento, oferecendo leite de vaca e/ou derivados à mãe e avaliar a recorrência das cólicas no lactente(8). 

A associação entre cólica do lactente e Alergia à Proteína do Leite de Vaca foi identificada em ensaios clínicos nos quais se observou melhora da cólica com o emprego de fórmulas com proteínas extensivamente hidrolisadas ou de aminoácidos(7,11,12). O mesmo não foi observado quando se utilizou fórmula sem lactose ou de soja(7,11,12). Deve ser ressaltado que a cólica do lactente desaparece por volta dos 3 a 4 meses. Assim, é imprescindível a realização de teste de desencadeamento para confirmar ou descartar o diagnóstico de cólica secundária à Alergia à Proteína do Leite de Vaca e evitar a utilização de dieta de exclusão desnecessária, por tempo prolongado(12). Vale destacar que em consultórios brasileiros de Gastroenterologia Pediátrica a cólica foi uma manifestação que esteve presente em 34% dos lactentes com suspeita de Alergia à Proteína do Leite de Vaca(4). 

Regurgitações e vômitos podem ser ocasionados por doença do refluxo gastroesofágico secundária à Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Na última diretriz conjunta das Sociedades Europeia e Norte-americana de Gastroenterologia Pediátrica a possibilidade da Alergia à Proteína do Leite de Vaca ser causa da doença de refluxo gastroesofágico recebeu grande destaque(13). Recomenda-se que entre os procedimentos necessários para o diagnóstico diferencial de lactentes com regurgitações e vômitos associados ou não com déficit de ganho de peso e irritabilidade deve ser tentada dieta de exclusão do leite de vaca e derivados. Nos lactentes que não recebem aleitamento natural, a fórmula dever ser substituída por fórmula com proteínas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos(13). Considerando que este problema em geral ocorre no primeiro semestre de vida, não deve ser recomendada fórmula de soja. Não existe informação precisa sobre a prevalência de Alergia à Proteína do Leite de Vaca entre os lactentes com quadro compatível com doença do refluxo gastroesofágico(13). Por outro lado, 53% dos lactentes atendidos por suspeita de Alergia à Proteína do Leite de Vaca por gastroenterologistas pediátricos no Brasil apresentam regurgitações e vômitos(4). 

A proctocolite ou colite eosinofílica ou alérgica tem como manifestação clínica fundamental a presença de sangue em fezes normais ou diarreicas. De acordo com revisão da literatura, Lozinski e Morais(14) identificaram a publicação de 245 casos desde 1966. Observou-se que 61,5% eram do sexo masculino e o aparecimento de sangue nas fezes ocorreu, em geral, no primeiro semestre de vida. Com relação às fezes, em 73,5% não eram diarreicas. No hemograma se constatou eosinofilia em 48,0% dos casos. Teste de desencadeamento com proteínas do leite de vaca, com a finalidade de confirmação diagnóstica (nos primeiros meses após a recuperação clínica obtida pela interrupção do leite de vaca), foi positivo em 92,0% dos 25 casos nos quais foi realizado(14). Assim, ao contrário do observado com a cólica do lactente e o refluxo gastroesofágico, em geral os lactentes com proctocolite e colite eosinofílica apresentam Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Entretanto, deve-se ter em mente outros diagnósticos diferenciais quando se observam manifestações atípicas (por exemplo, febre, vômitos e diarreia com início abrupto, compatíveis com diarreia aguda por Shigella, fissura anal e outras condições clínicas). Outro ponto importante, identificado na mencionada revisão da literatura, é o fato de que 43,3% dos 245 casos publicados se encontravam em aleitamento natural exclusivo(14). Nesta situação é necessário excluir as proteínas do leite de vaca e derivados da dieta da mãe, observando-se o desaparecimento do sangramento intestinal. É interessante mencionar que após o controle do processo é comum observar-se pequenos episódios de sangramento, caso a mãe consuma involuntariamente pequenas quantidades de proteína do leite de vaca. 

Constipação crônica secundária a Alergia à Proteína do Leite de Vaca é outra manifestação que pode ocorrer, não somente no primeiro ano de vida como também no pré-escolar e no escolar. Estudo realizado com 65 crianças italianas (idade entre 11 e 72 meses) com constipação crônica refratária ao tratamento habitual mostrou que 68% delas apresentaram recuperação clínica durante dieta de exclusão das proteínas do leite de vaca(15). Recorrência da constipação foi constatada quando o leite de vaca foi reintroduzido na dieta. Edema, hiperemia e fissura anal foram mais frequentes nas crianças que responderam clinicamente com a dieta de exclusão, assim como a infiltração por eosinófilos na mucosa retal(15). Mencionou-se dificuldade para o tratamento destas fissuras anais, sugerindo que este quadro de proctocolite poderia ser responsável por episódios de evacuação dolorosa, o que poderia agravar e perpetuar o quadro de constipação, intestinal. Os autores encontraram, nos pacientes com constipação, maior frequência de sensibilização e antecedentes pessoais e familiares de alergia secundária a Alergia à Proteína do Leite de Vaca(15). No entanto, grande parte dos pacientes com constipação por Alergia à Proteína do Leite de Vaca não apresentava sensibilização, o que também foi observado em estudo realizado em nosso serviço(16). Assim, considera-se que a reação imunológica da constipação por Alergia à Proteína do Leite de Vaca é do tipo não IgE mediada. Mais recentemente se demonstrou interação neuroimune, com base no estudo comparativo entre a intensidade de anormalidades por imuno-histoquímica e parâmetros da manometria anorretal(17). Outro aspecto importante, evidenciado em nosso serviço, é o comprometimento pôndero-estatural das crianças com constipação secundária ao leite de vaca, em comparação a aquelas apresentando constipação crônica funcional grave(18). 

A enteropatia e a enterocolite induzida pela proteína do leite de vaca têm a diarreia crônica e a desnutrição e/ou déficit do crescimento como manifestações clínicas mais importantes. Ao que parece, esta forma de apresentação não é tão comum como se observava na década de 1970, quando foi descrita(19). Com frequência o processo era desecadeado por uma infecção por E. coli enteropatogênica(19). A redução na incidência foi observada a partir do final da década de 1990, quando começaram a surgir casos de alergia alimentar múltipla com lesões mínimas do intestino delgado(19,20). Essa síndrome pode ocorrer na ausência de infecção intestinal desencadeante. A enteropatia tende a ser menos grave que a enterocolopatia. No momento do teste de desencadeamento existe maior probabilidade de ocorrer reação positiva de maior gravidade(21). A síndrome de enterocolite induzida pela proteína da dieta apresenta elevada gravidade e recentemente foi considerada como reação alimentar sistêmica(8,21). A recuperação clínica e nutricional, com dieta de exclusão e fórmula substitutiva adequada, pode requerer um período mais prolongado(8). 

A esofagite eosinofílica pode ocorre no lactente; entretanto, é mais prevalente no escolar e no adolescente(22,23). Nãose conhecem plenamente os fatores etiológicos envolvidos. As manifestações no lactente podem ser vômitos, regurgitações, dificuldade à alimentação e diminuição no crescimento. Nas crianças em idade escolar é comum a queixa de dor na região esternal, disfagia e impactação de alimento no esôfago. O diagnóstico exige a realização de endoscopia e biópsias, nas quais se observa infiltrado eosinofílico. O diagnóstico final depende da análise conjunta dos dados clínicos, endoscópicos e histológicos. O papel da Alergia à Proteína do Leite de Vaca e a outros alimentos não está plenamente demonstrado; entretanto, dieta de exclusão vem sendo recomendada como parte do tratamento(22,23). 

Diagnóstico 
A diretriz(8) do Comitê de Gastroenterologia da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição em Pediatria ("ESPGHAN"), publicada em 2012, discute a relevância dos seguintes procedimentos no diagnóstico de Alergia à Proteína do Leite de Vaca em Pediatria: 

1. IgE sérica específica e teste cutâneo de leitura imediata ("prick tet");

2. Teste de contato ("patch test"), IgE total e teste intradérmico; 

3. Anticorpos séricos específicos da classe IgG e testes in vitro; 

4. Endoscopia e histologia; 

5. Dieta diagnóstica de eliminação das proteínas do leite de vaca; 

6. Teste de desencadeamento ou desafio. 

Os vários métodos são discutidos de maneira sintética e objetiva. Com relação à IgE sérica específica ("RAST", "Imunocap") e ao teste cutâneo de leitura imediata ("prick test") se afirma que a realização simultânea dos dois testes na avaliação diagnóstica é desnecessária(8). A presença de sensibilização, indicada por qualquer um destes testes, deve ser interpretada em conjunto com outros dados clínicos e evolutivos. Ou seja, sensibilização não é diagnóstico de alergia. Destacam ainda que, com frequência, nas reações não mediadas pela IgE se caracteriza sensibilização, ou seja, ambos os exames (determinação de IgE específica e teste cutâneo de leitura imediata) são negativos(8). 

Com relação a teste de contato ("patch test"), IgE total, teste intradérmico, anticorpos séricos específicos da classe IgG e testes in vitro se ressalta que não existem demonstrações suficientes que permitam o uso de qualquer um deles na prática clínica(8). 

Endoscopia e histologia devem ser indicadas em pacientes com sintomas gastrointestinais persistentes e/ou déficit pôndero-estatural. Destaca-se, ainda, que as infiltrações eosinofílicas e a atrofia vilositária devem ser correlacionadas com o quadro clínico e o resultado do teste de desencadeamento, levando em consideração que podem ser causadas por outras doenças, além da Alergia à Proteína do Leite de Vaca(8). 

Por sua vez, grande destaque é atribuído à resposta clínica à dieta de exclusão. Este é um ponto com o qual concordamos plenamente e que muitas vezes é deixado em segundo plano, tanto pelos familiares como por alguns profissionais que valorizam de forma exagerada os exames subsidiários. Assim, a dieta de eliminação deve proporcionar melhora clínica quando se trata de Alergia à Proteína do Leite de Vaca e a dieta é administrada de forma apropriada. A diretriz(8) destaca que "a duração da dieta de eliminação depende das manifestações clínicas, deve ser a mais breve possível, no entanto, suficientemente longa para julgar a evolução dos sintomas". Assim, a duração varia de 3 a 5 dias para reações imediatas (por exemplo, angioedema, vômitos e exacerbação imediata de eczema); de 1 a 3 semanas para crianças com reações tardias (por exemplo, sangramento fecal e piora de eczema). Para pacientes com diarreia crônica e déficit de crescimento pode ser necessário realizar a eliminação por 2 a 4 semanas, para observar de forma clara o efeito positivo da dieta de eliminação(8). Destaca, ainda, que quando não houver resposta favorável é pouco provável o diagnóstico de Alergia à Proteína do Leite de Vaca, devendo-se considerar outros diagnósticos diferenciais. Deve ser destacado que estes procedimentos são direcionados basicamente aos lactentes. 

No caso de lactentes em aleitamento natural exclusivo apresentarem manifestações clínicas compatíveis com Alergia à Proteína do Leite de Vaca se deve recomendar que as mães excluam as proteínas do leite de vaca de sua dieta (leite de vaca, seus derivados e alimentos que contenham leite na sua composição). A diretriz recomenda que quando as manifestações clínicas regridem, a mãe deve voltar a consumir proteínas do leite de vaca. Caso o diagnóstico se confirme (caracterizado pelo reaparecimento das manifestações clínicas), a mãe deve voltar para a dieta de exclusão, sendo necessário que receba suplementação de cálcio e aconselhamento nutricional(8). 

De acordo com a diretriz(8) da ESPGHAN, o teste de desencadeamento deve ser realizado "após a verificação de melhora significante na vigência da dieta de exclusão, para confirmar o diagnóstico de Alergia à Proteína do Leite de Vaca". "O teste de desencadeamento deve ser realizado de forma padronizada, sob supervisão médica". Independentemente do tipo de reação esperada, o teste deve ser realizado sob supervisão médica em ambiente em que o tratamento de anafilaxia possa ser realizado a qualquer momento. 

Notas: 1. Manifestação clínica apresentada por ocasião do teste de desencadeamento positivo foi diferente da manifestação clínica inicial em 24,9% dos pacientes com teste positivo. Teste de desencadeamento positivo foi mais frequente em pacientes que recebiam fórmula com proteína extensamente hidrolisada ou de aminoácidos. 

2. Mesma manifestação que levou ao diagnóstico como critério para considerar o teste de desencadeamento positivo. 

3. Todos os 46 pacientes apresentavam sensibilização, de acordo com o teste cutâneo de leitura imediata. O coeficiente Kappa mostrou concordância (0,73) entre as manifestações ocorridas no desencadeamento em relação às manifestações clínicas iniciais. Anti-histamínicos orais controlaram as manifestações clínicas decorrentes do teste de desencadeamento. 

4. Foram estudados também 19 pacientes com dados clínicos não sugestivos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca IgE mediada, ou seja, que não apresentavam sintomas típicos após a ingestão de leite de vaca ou ausência de manifestações nas seis horas subsequente a ingestão de derivados do leite de vaca. O teste foi negativo em todos. Considerando todos os pacientes em conjunto a positividade do teste de desencadeamento duplo-cego foi de 67%. Manifestações sugestivas de reações positivas ocorreram em quatro pacientes quando receberam o placebo, sendo um do grupo classificado na metodologia como sem Alergia à Proteína do Leite de Vaca IgE mediada. Adrenalina IM foi administrada para cinco pacientes. 


Em certos casos o teste de desencadeamento deve ser realizado com o paciente hospitalizado (histórico de reações alérgicas imediatas, reações imprevisíveis, como em pacientes sensibilizados ou que ficaram por muito tempo em dieta de exclusão e dermatite atópica grave). 

No Brasil foram realizados alguns estudos(24-27), resumidos na Tabela 3, para avaliar o teste de desencadeamento. A positividade variou segundo o tipo de manifestação clínica predominante (não-IgE ou IgE mediada) e idade dos pacientes. No primeiro estudo publicado, realizado em serviços de gastroenterologia pediátrica, constatou-se desencadeamento positivo em 23,1% dos pacientes, sendo que a casuística se encontrava há longo tempo em dieta de eliminação(24). Outro estudo, realizado em ambulatório de gastropediatria, mostrou maior positividade do teste de desencadeamento(25). Ao que tudo indica, a duração da dieta de eliminação foi menor, assim como a idade dos pacientes com teste de desencadeamento positivo(25). Os demais estudos incluíram pacientes nos quais foi caracterizada sensibilização. Foram realizados em serviços de alergia(26,27). A positividade dos testes variou de 41,3% a 100,0%. No estudo no qual se realizou teste de desencadeamento duplo-cego controlado por placebo, observou-se resultados positivos com o placebo em 5 dos 58 pacientes estudados. Em um dos artigos, de pacientes com alergia imediata mediada pela IgE, foi necessária a administração em pacientes que desenvolveram reações com maior gravidade. 

Paradigma da avaliação do paciente com hipótese diagnóstica de alergia digestiva ao leite de vaca 
Em nossa experiência com Alergia à Proteína do Leite de Vaca sempre destacamos os três pilares que asseguram a boa assistência: 

1. Estabelecimento da hipótese diagnóstica de Alergia à Proteína do Leite de Vaca; 

2. Dieta de eliminação das proteínas do leite de vaca, que deve proporcionar expressiva melhora ou plena recuperação clínica; 

3. Teste de desencadeamento ou desafio, para comprovação diagnóstica ou do desenvolvimento de tolerância. 

Para estabelecer a hipótese diagnóstica é necessário conhecer as formas de apresentação e considerar que muitas delas são inespecíficas. Nesta primeira etapa, quando necessário e indicado, incluem-se exames subsidiários (IgE específica, endocopia, biópsia, entre outros). O termo subsidiário deve ser entendido de acordo com o significado da palavra (dado acessório em apoio do principal, auxiliar), lembrando que o principal é a avaliação clínica. 
1. Pregomin Peptiâ (Danone); 2. Alfaréâ (Nestle Nutrition) 3. Enfamil Pregistimil Premiumâ (Mead Johnson); 4. AlergoMedâ (CMW); 5. Aptamil Peptiâ (Danone) contém mistura de prebióticos (FOS + GOS: fruto-oligossacarídeos e galato-oligossacraídeos); 6. Althéra (Nestle Nutriton)â; 7. Neocateâ (Support/Danone); 8. Neocate Advanceâ (Support/Danone); 9. Aminomed (CMW). 


O acompanhamento com avaliação clínica da resposta à dieta de eliminação é fundamental para confirmação da hipótese diagnóstica. Quando não se observa resposta clínica favorável, considerar: 

1. Duração insuficiente da dieta de eliminação; 

2. Prescrição de dieta substitutiva inadequada (por exemplo, leite de cabra ou carneiro). Para lactentes com manifestações gastrointestinais de Alergia à Proteína do Leite de Vaca não deve ser utilizada fórmula com proteína isolada de soja (risco de sensibilização e desenvolvimento de alergia à soja). Assim, no presente momento as opções disponíveis e adequadas são as fórmulas com proteínas extensamente hidrolisadas e as fórmulas de aminoácidos; 

3. Hipótese diagnóstica inicial não confirmada, desde que a dieta tenha sido corretamente prescrita e seguida. 

Caso o paciente apresente melhora significativa, do ponto de vista clínico, deve-se considerar a realização do teste de desencadeamento. Quanto maior o tempo entre o início da dieta de eliminação e a realização do teste, maior a probabilidade de desenvolvimento espontâneo de tolerância. Se o teste de desencadeamento resultar positivo a dieta de eliminação deve ser mantida por mais 6 a 12 meses. Quando a dieta de eliminação tem duração superior a 6 meses pode-se dizer que o desencadeamento se destina, fundamentalmente, à caracterização do desenvolvimento de tolerância. 

Deve ser lembrado que quando o lactente se apresenta assintomático e com crescimento e desenvolvimento adequados existe uma tendência dos médicos responsáveis e da família a não realizarem o teste de desencadeamento diagnóstico, para evitar o risco de recorrência das manifestações clínicas da Alergia à Proteína do Leite de Vaca. 
Segundo Weber, Speridião e Morais. 

Dieta de exclusão das proteínas do leite de vaca 

O princípio básico é realizar dieta substitutiva que não contenha proteínas do leite de vaca e que não apresente risco de reação cruzada (leite de cabra e ovelha) ou de sensibilização, com desenvolvimento de alergia a mais um alimento (por exemplo, fórmula de soja). As fórmulas com proteínas parcialmente hidrolisadas não são eficazes para o tratamento da Alergia à Proteína do Leite de Vaca. 

Na Tabela 4 são apresentadas as alternativas para lactentes que necessitam de fórmulas substitutivas. 

Com frequência a dieta de eliminação tem início no primeiro semestre de vida. Por ocasião do sexto mês devem ser iniciados os alimentos complementares, evidentemente isentos de proteína do leite de vaca. De acordo com a diretriz da ESPGHAN(8), os alimentos devem ser incluídos na dieta, um de cada vez, iniciando com pequena quantidade. Retardo na introdução de alimentos muito alergênicos (ovo, peixe, trigo) não deve ser preconizado (não reduz risco de desenvolvimento de outras alergias). Se não houver diagnóstico de alergia a esses alimentos, os mesmos devem ser incluídos normalmente, como complemento da dieta de eliminação(8). 

Principalmente após os 12 meses de vida, caso seja necessário manter a dieta de exclusão das proteínas do leite de vaca, deve-se ter atenção especial quanto à ingestão de cálcio e de outros nutrientes. Atenção específica por nutricionista pode ser de grande valia(5,28). 

De acordo com as DRIs (Dietary Reference Intake - ingestão dietética de referência), do Instituto de Medicina (2010), as necessidades diárias de cálcio são: 

1. Com base no conceito de ingestão adequada (AI, adequate intake): 200 mg de 0 a 6 meses e 270 mg de 6 a 12 meses de idade; 

2. Com base no conceito da ingestão diária recomendada (RDA, Recommended Dietary Allowance): 700 mg de 1 a 3 anos; lactantes com 14 a 18 anos: 1300 mg; lactantes com mais de 18 anos: 1000 mg. 


A não utilização de fórmula substitutiva se associa a maior risco de dieta com quantidade insuficiente de cálcio(5). É frequente a necessidade de prescrição de suplemento de cálcio. 

Lembrar que os familiares devem ser instruídos quanto à necessidade de leitura dos rótulos de alimentos utilizados como complemantares(28,29). Na Tabela 5 são apresentados os termos que devem ser pesquisados nos rótulos dos produtos industrializados. 

Conclusão 

Alergia à Proteína do Leite de Vaca é um problema frequente da assistência à criança. O diagnóstico é fundamentalmente clínico, ou seja, depende de anamnese cuidadosa, que relaciona o aparecimento e desaparecimento das manifestações clínicas segundo as mudanças da dieta. Os exames subsidiários podem ajudar; entretanto, não são suficientemente precisos. A utilização de dieta substitutiva que atenda às necessidades nutricionais é fundamental para que se obtenha reversão do processo. Uma vez conseguido o controle do caso, deve-se programar teste de desencadeamento (para comprovação do diagnóstico de APLV ou caracterizar o desenvolvimento espontâneo de tolerância ao leite de vaca), levando em consideração as particularidades de cada paciente. 

Bibliografia
1. Morais MB, Fagundes-Neto U. Alergia alimentar. In: Ancona-Lopez F, Brasil ALD, editores. Nutrição e Dietética em Clínica Pediátrica. 1ª ed. São Paulo: Atheneu; 2003;209-10. 

2. Vieira MC, Spolidoro JVN, Morais MB, Toporovski MS. Guia de diagnóstico e tratamento da Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Support, 2004. 

3. Dupont C. Food Allergy: Recent advances in pathophysiology and diagnosis. Ann Nutr Metab. 2011;59(suppl 1):8-18. 

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NO BRASIL, 350 MIL CRIANÇAS TÊM ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA

Proteína do leite pode estar presente também em sabonetes, giz, balão de festa. Busca por produtos sem leite já é um grande desafio no mercado.



Balão de festa, giz escolar. A Mariana, mãe do Mateus, de 5 anos, nunca imaginou que ali tinha proteína do leite. “Ele estava brincando no pátio da escola, com giz com a turma inteira, e aí naquele momento que ele deixou o giz, ele coçou o nariz e logo depois ele foi correr no pátio. Ele ficou inchado, com dificuldade de respiração, tossindo, e aí teve uma reação muito séria”, relembra Mariana.

Foi assim que ela descobriu que a alergia do Mateus era mais grave do que pensava. “Eu já sabia que ele tinha alergia a leite quando ele teve reação ao giz. Só que eu não imaginava que no giz tinha proteína do leite na composição”, afirma Mariana.

O giz tem caseína, uma proteína encontrada no leite de vaca. “Eu fui no médico e ele me explicou que, a partir daquele momento, a gente precisaria ter uma adrenalina onde ele fosse”, diz Mariana.

“Uma reação alérgica grave, do tipo anafilático, não tem outra alternativa. A única garantia de vida é o uso da adrenalina. Aplica sobre a coxa, ouve um clique, conta até 10, já aplicou a medicação e esse paciente está fora de risco. Essa caneta pode salvar a vida de uma criança”, avisa a alergista Ariana Young.

A caneta não é regulamentada no Brasil. Os pais que precisam tem que importar. E sai caro. “O mais barato custa R$ 600”, diz Ariana Young.

A Anvisa diz que só não regulamentou esses produtos porque nenhum laboratório pediu.

No Brasil, 350 mil crianças têm alergia à proteína do leite de vaca. “Desses 350 mil, em torno de 70 mil já tiveram ou terão alguma reação do tipo anafilática, com choque anafilático - que representa risco de morte”, afirma Ariana Young, alergista.

“Alergia à proteína do leite de vaca é surge normalmente no primeiro ano de vida, enquanto ele é bebê ainda”, explica Ariana Young.

A Karina descobriu cedo. O Lucca tinha 8 meses quando teve as primeiras reações. “Já reagiu a lencinho umedecido, a sabonete, à medicação”, ela lembra.

E desde a hora que o Lucca acorda, a mãe já fica em estado de alerta. No café da manhã, a irmã, Pietra, não tem alergia e come normalmente derivados do leite. A Karina separa tudo com etiquetas.

“Tudo que é dele está etiquetado, na dúvida, não tem etiqueta, não tem o nome dele, não usa. O pratinho é separado, canequinha separada, o copo é separado, até o jogo americano. A louça do Lucca é lavada com a esponja separada”, ensina Karina. 

No banheiro, tudo separado também. “Eu evito ao máximo produtos que tenham leite na higiene dele, mas alguns podem conter traços”, conta Karina.

Os traços de leite são uma "contaminação" do produto fabricado na mesma máquina que outros produtos com leite ou derivados. Não é todo alérgico que reage aos traços, mas o Lucca, sim.

Em casa, tudo sob controle. Mas e quando o Lucca é convidado para uma festa? A mãe entra em contato com quem estiver organizando a festa e prepara o "kit-festa" do Lucca. “A gente está preparando uma esfiha, massa toda caseira, não tem leite, não tem manteiga”, explica Karina.

Para as mães de filhos alérgicos, achar ingredientes é uma batalha. A busca por produtos sem leite já é um grande desafio no mercado. A situação fica ainda pior quando essas informações não são colocadas corretamente nos rótulos.

Como a rotulagem não é padronizada no Brasil, os fabricantes colocam os ingredientes do jeito que bem entendem e muitas vezes em inglês. Sabonete pode ter leite e caldo de carne também.

Atenção: a lactose é o açúcar natural do leite, não a proteína. “Uma pessoa que ela é intolerante à lactose, ela não consegue digerir o açúcar presente no leite. Não é o caso do Lucca, e das demais crianças que têm alergia à proteína ao leite da vaca. Elas não conseguem digerir a proteína”, explica Karina.

FONTE: Jornal Fantástico. Rede Globo

terça-feira, 12 de maio de 2015

ALERGIA ALIMENTAR FOI TEMA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO AMAZONAS

No dia 24/04/ 2015 a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) promoveu Audiência Pública para debater alergias alimentares como a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), tipo mais comum na infância que pode oferecer risco de morte nas reações mais graves. O evento ocorreu no Plenário Ruy Araújo, às 9h30.

Presidente da Comissão, o deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) afirma que a audiência teve por objetivo compartilhar informações e debater medidas concretas de combate às alergias alimentares. Dentre as metas está a implantação de uma política específica de atendimento e tratamento na rede pública de saúde.

Alimentos como leite de vaca e derivados, soja, ovo, trigo, peixes e crustáceos respondem por 90% das reações alérgicas. Estima-se que 350 mil crianças brasileiras possuem alergia à proteína do leite de vaca, de acordo com dados da Associação Brasileira e Alergia e Imunologia (Asbai).

“É preciso segurança na hora da compra. Com informações corretas e precisas nos rótulos, os portadores de alergia alimentar poderão ter mais qualidade de vida”, analisa o deputado, que uniu - se a causa após reunião com mães fundadoras do Grupo de Apoio a Crianças com Alergia Alimentar do Amazonas (Criale).

A Audiência Pública contou com a presença de representantes das Secretarias Estadual (Susam) e Municipal (Semsa) de Saúde; Secretarias Estadual (Seduc) e Municipal (Semed) de Educação; Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam); Conselhos Regionais de Medicina (Cremam) e Nutricionistas; Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel); Grupo de Apoio a Crianças com Alergia Alimentar do Amazonas (Criale); além de médicos, alergistas e pediatras.

Fonte: FATO AMAZONICO: A Noticia Agora.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

NOVA FERRAMENTA AJUDA A DIAGNOSTICAR ALERGIA AO LEITE EM BEBÉS


A alergia à proteína do leite de vaca é a mais comum na infância. Por ser difícil de diagnosticar, provoca angústia aos pais e crianças na espera pelo resultado. A Cow's Milk-related Symptom Score Tool (CoMiSS), desenvolvida pela Nestlé, é uma ferramenta que visa ajudar os profissionais da saúde a identificar possíveis casos de alergia. Esta ferramenta pretende reduzir os tempos de diagnóstico desta alergia.

A pouca especificidade dos sintomas leva a que o diagnóstico não seja imediato. Quando não devidamente tratada, a alergia à proteína do leite de vaca pode conduzir a uma redução do crescimento e desenvolvimento da criança.

Neste sentido, a utilização CoMiSS ao nível dos cuidados de saúde primários deverá promover o conhecimento dos sintomas da alergia a proteína do leite de vaca (Cow´s milk proteins allergy - CMPA) acelerando o processo de decisão para a implementação de uma terapêutica adequada. O teste, a ser realizado pelo profissional de saúde, dura entre 5 a 15 minutos. Permite avaliar critérios como o choro, regurgitação, fezes, pele e sintomas respiratórios – sintomas associados a esta alergia - e quantificá-los numa escala de 0 a 33 pontos. Um resultado equivalente a 12 ou maior que 12 indicia risco de alergia à proteína do leite de vaca.

"Não é expectável que os profissionais de cuidados de saúde primários sejam especialistas nesta matéria e ainda mais em condições tão complexas. Esta ferramenta vem assim prestar um apoio precioso na avaliação mais precisa dos principais critérios/sintomas, com base numa métrica que permite atribuir um sistema de pontuação. Fácil e rápido de utilizar, o CoMISS representa um passo em frente na corrida contra o diagnóstico tardio deste tipo de alergias – um processo que pode ser angustiante para as crianças, os pais e até para os próprios profissionais de saúde", explica Vandenplas, presidente do painel de especialistas em gastroenterologia, reunidos pela Nestlé Health Science.

FONTE: Vital Health